terça-feira, 1 de junho de 2010

Como o haicai pode mudar o mundo? - Parte 1

Para escrever haicai é preciso observar objetivamente o mundo: sem julgamento de valor, abstrações intelectuais ou enfeites poéticos.

É necessário ver a Natureza como ela é, neste instante. Notar que tudo é impermanente e anotar a experiência de estar presente.

É preferível não escrever sobre nós (nossas ideias ou sentimentos), mas sim sobre aquilo que atrai a nossa atenção.

O ideal é mergulhar nele com uma mudança de consciência, já que para praticá-lo, primeiramente devemos nos afastar do Ego.

Para expressar uma emoção, não falamos dela, utilizamos um correlato objetivo.

Correlato objetivo é uma expressão cunhada por T. S. Eliot, é quando usamos uma situação e/ou um conjunto de fenômenos para evocar a emoção pretendida.

Quietude --
O barulho do pássaro
Pisando em folhas secas.
[Ryushi]

Você fala de si descrevendo o outro. É um exercício de identidade na alteridade. Não há paradoxo nisso, é uma atitude de compreensão, integração com aquilo que nos cerca.

Aí está um ponto a ser observado, que pode gerar uma grande mudança em tudo: o respeito. O respeito àquilo que nos cerca é fundamental no haicai.

"Ao captarmos os seres como valor intrínseco, surge em nós o sentimento de cuidado e de responsabilidade para com eles a fim de que possam continuar a ser e a coevoluir." -- Leonardo Boff
Portanto, o haicai pode mudar o mundo. Seus praticantes, quando imersos na prática desta poesia, mudam a si mesmos e transformam suas relações: o primeiro passo...

Referências:

Introduction to Hokku - David Coomler

O Zen e a Arte do Haikai - Rodrigo de Almeida Siqueira

Respeito a todo ser, à Mãe-Terra - Leonardo Boff

2 comentários:

  1. Muito bonito; e simples -- simplicidade de arqueiro, companheiro.

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  2. Já me sinto outro - isso é alteridade...

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